O que aprendi sobre formar pessoas e dar condições para uma empresa crescer

Por Bruno Passarelli
Alexandre Costa, founder da Cacau Show, relatou na B55 Conference como delegar e contar com pessoas preparadas permitiu dedicar parte importante da sua atenção a um novo projeto. Ao falar do que faria diferente na trajetória, destacou que teria investido mais tempo nas pessoas.
Essa foi uma das reflexões mais relevantes para mim no painel com ele e Rony Meisler (Rebel Ventures). Construir uma empresa exige formar capacidade de decisão em outras pessoas. Sem isso, cada nova frente passa a disputar o tempo do fundador.
Na Qeevo e na Allevo, quero levar essa discussão para a forma como desenvolvemos lideranças, escolhemos oportunidades e transformamos valores em critérios de trabalho.
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Explicar o impacto da entrega
O painel trouxe o exemplo de alguém trabalhando em uma obra: a mesma tarefa pode ser compreendida apenas como uma atividade a cumprir ou como parte da experiência que será oferecida às famílias.
Na educação, vejo uma aplicação direta. Organizar uma aula, esclarecer uma dúvida e resolver um problema de acesso são tarefas com efeitos concretos na capacidade de uma pessoa continuar estudando.
Quero que esse efeito esteja claro para quem realiza o trabalho. Eu usaria situações reais de alunos para discutir o que facilitamos, onde criamos dificuldade e o que precisa mudar. O propósito ganha utilidade quando ajuda a priorizar e melhorar a entrega.
Também precisamos oferecer condições para isso: informação, preparo e processos que permitam agir.
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Valores que ajudam a decidir
Rony defendeu valores claros e compreensíveis. Na Qeevo, já temos quatro: Evolução Constante, Agentes de Transformação, Excelência no Básico e Proatividade com Resultado.
Minha aplicação seria discutir como esses valores orientam situações específicas. Quando uma formação recebe uma dúvida recorrente, o que precisamos aprender?
Se o primeiro acesso é confuso, qual parte do básico exige correção? Ao identificar uma dificuldade, quem toma a iniciativa e como acompanha o efeito da mudança?
O time precisa conseguir explicar a relação entre o valor e a decisão. Isso ajuda a tornar o critério compartilhado e a reduzir a necessidade de consultar a liderança em toda situação.
Escuta e convicção dentro do BD&V
Rony destacou a escuta dos problemas como ponto de partida para inovar. Essa ideia se conecta ao BD&V que estamos construindo na Qeevo: audiência, investigação da demanda, testes e evidências antes de ampliar investimento.
O painel também deu espaço à convicção e à persistência. Minha leitura é que elas ajudam a sustentar a busca por uma solução, enquanto a validação permite revisar o caminho escolhido.
Para uma oportunidade educacional, eu começaria identificando o que a pessoa quer realizar, como tenta resolver essa necessidade hoje e onde encontra dificuldade. Depois, testaria uma proposta com critérios claros para avaliar o interesse, a entrega e a viabilidade.
Se as evidências mostrarem um problema na oferta, precisamos ter abertura para mudar. Se não sustentarem a continuidade, precisamos reconhecer isso. O compromisso com a necessidade do público orienta essas decisões.
A escolha entre desenvolver, distribuir ou fazer parceria viria desse entendimento, considerando as capacidades necessárias e o esforço para operar bem.
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Delegar exige preparar a decisão
Alexandre falou da dificuldade de abrir mão do controle e da importância das pessoas para a expansão. Levo disso uma pergunta para a liderança: o que falta para alguém assumir uma responsabilidade com autonomia?
Eu procuraria definir o resultado esperado, os limites da decisão e as informações necessárias. Também combinaria em quais situações a pessoa deve pedir apoio e quando vamos revisar o andamento.
Na Allevo, uma aplicação possível seria a decisão sobre uma melhoria na jornada do aluno. Quem está próximo do problema precisa saber o que pode mudar, quais efeitos acompanhar e que dependências exigem alinhamento.
Se toda escolha retorna à mesma pessoa, vale investigar o motivo. Pode faltar preparo, clareza de responsabilidade ou confiança. A resposta precisa enfrentar essa causa para que a delegação funcione.
Formar pessoas que acrescentem à discussão
Rony ressaltou a combinação entre valores compatíveis, competências complementares e humildade intelectual. O painel também abordou o papel de quem questiona processos e propõe formas diferentes de trabalhar.

Para mim, isso exige criar espaço para discordância com responsabilidade. Quero que uma pessoa consiga trazer uma dificuldade sem precisar esperar que ela se transforme em um problema maior. E que consiga apresentar uma proposta, explicar seu raciocínio e testá-la com acompanhamento.
Compartilhar valores não implica ter a mesma opinião. Podemos concordar sobre o cuidado com o aluno e divergir sobre o melhor formato de atendimento. Essa diferença precisa ser examinada pelo que ajuda a entregar melhor.
A liderança tem um papel importante ao responder a essas contribuições. O time observa se perguntas são bem recebidas e se as decisões mudam quando aparecem informações relevantes.
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Conectar aprendizado e execução
O encerramento do painel reforçou que o conhecimento precisa chegar à prática. Quero aplicar isso também à nossa forma de desenvolver pessoas.
Uma formação pode ganhar mais sentido quando está ligada a uma responsabilidade real. O participante aprende, realiza uma entrega, recebe retorno e revisa a tentativa. Eu observaria quais condições favorecem essa aplicação e onde falta apoio.
Na próxima discussão de uma oportunidade no BD&V, quero colocar duas decisões lado a lado: qual hipótese vamos testar e quem precisa estar preparado para conduzir esse teste.
Esse é o aprendizado que levo do painel para a gestão: formar pessoas amplia a capacidade da empresa de aprender, decidir e executar. O crescimento precisa criar essa capacidade ao longo do caminho.
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